Hélio Mazzolli
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Armadilha dos juros
Temos a taxa fixa de juros de 6% ao ano para a caderneta de poupança como uma herança do período de forte inflação. Como a intenção era de pagar o juro real de 6% ao ano, o rendimento da poupança recebia o acréscimo da variação monetária da inflação. O plano Collor II (1990) criou a TR (taxa de referência). Um cálculo que pretendia determinar a inflação futura em substituição à inflação passada, mas se transformou num cálculo obscuro. Essa TR passou a ser utilizada no sistema de poupança tanto para remunerar o depositante como para cobrar dos devedores. Inclusive aos depositantes do FGTS.
Em janeiro, fevereiro e abril deste ano, a TR foi de 0%. Quer dizer, não ocorreu inflação de acordo com o go- verno federal.
Com tal comportamento, o juro real da caderneta não é mais de 6%.
Essa colocação de manter uma taxa nominal fixa de 6% para a poupança é um sério problema para reduzir a taxa da Selic.
A taxa Selic é a taxa básica pela qual o poder público paga como juros pelos empréstimos que toma. E o poder público é hoje o maior devedor da economia brasileira. Algo como mais de 60% do PIB. O governo anuncia um percentual menor porque não considera a dívida bruta.
Os gastos públicos com juros no primeiro semestre atingiram 5,38% do PIB e tudo indica que o percentual será maior no segundo.
A taxa de juros real paga pelo go-verno é a mais alta do mundo e, às vezes, fica em segundo lugar.
Tenho lido várias propostas para que o juro real seja reduzido. A maioria das propostas menciona para algo em torno de 2% a 3% ao ano.
Acredito que antes de qualquer decisão efetiva é preciso remover qualquer outra taxa fixa do sistema financeiro brasileiro, entre as quais a da caderneta de poupança. Caso contrário, será uma loucura.
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