Ceres
A morte como retrato da nossa impotência
A morte como retrato da nossa impotência
A morte nos causa perplexidade, desagradável surpresa, questionamentos a respeito da nossa vida e da vida daquele que amamos e que se foi. Como assim? Por que agora? Logo neste momento? Agora que tínhamos tantos planos, tantos projetos? Agora que tudo ainda estava apenas começando? A perplexidade parece ser ainda maior quando quem morre é Michael Jackson!
O desespero de muitos fãs pelo mundo afora, porque sua arte não tinha fronteiras, me fez pensar sobre isto, sobre o quanto a morte nos surpreende, e é sempre assim!
A morte nos coloca diante da impossibilidade de realizar, da inviabilidade eternizada da presença de quem nos era querido, e nos obriga a tomar consciência da finitude da nossa própria vida. Isto mesmo! Ao observarmos a morte do outro, temos a certeza de que a nossa vida também é finda e que somos fragéis e impotentes diante dela. Não escolhemos a morte! É ela quem nos escolhe!
Mas mais do que isso: ao vermos alguém como o astro Michael Jackson morrer, incrementamos a nossa sensação de impotência, afinal, se ele que, "supostamente", podia TUDO morreu, o que restará a nós, "pobres mortais"?!!!
Infelizmente não somos educados para a morte e o morrer, para a finitude das coisas, para a finitude da vida! Vivemos sob a ilusão onipotente de que vamos existir para sempre e, nesta ilusão, por vezes, desperdiçamos muito tempo da nossa vida com aquilo que não é fundamental para a nossa felicidade! Esquecemos que a vida passa deixando que ela passe sem significado, sem compreender a que realmente viemos, por que estamos neste mundo!
Seja Michael Jackson, seja eu, seja você, não somos eternos, não viveremos para sempre! Tome consciência disso!!! Viverão, sim, as nossas obras, aquilo que empreendemos em nossa vida ficará (nos que nos rodeiam), as sensações a respeito daquilo que nós fizemos! Pense nisso, pense no quanto tem investido para fazer da sua vida uma obra de arte que mereça ser lembrada, que possa servir de inspiração e alento, e trazer a sua presença quando você não estiver mais aqui!!! Que a sua morte não dê aos outros e a você mesmo (se é que podemos ter consciência disso!) a sensação de que ficaram muitas coisas por fazer!
| Rafaela Luiza T. Spindola | Psicóloga CRP- 12/06149 membro da CERES (Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental).
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