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Gildo Volpato

quinta | 15/07/2010

A formação humana como fundamento da educação

| Gildo Volpato | Reitor da Unesc - giv@unesc.net

Nesse próximo final de semana, ini- ciam as formaturas da Unesc. E é sempre com muita alegria que outorgamos o grau de ensino superior a algumas centenas de jovens, por estarmos cientes da qualidade técnica da formação que eles receberam na Unesc, mas também pela certeza de que, além de profissionais aptos ao exercício de suas especialidades, ajudamos a construir cidadãos socialmente responsáveis, ecologicamente conscientes, pessoas solidárias, cooperativas e éticas.
Humanos é o que somos, e as organizações, estruturas e equipamentos são apenas meios a serviço do homem e devem ser utilizados unicamente para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Como diz Leonardo Boff, "só nós humanos podemos sentar à mesa com o amigo frustrado, colocar-lhe a mão no ombro e trazer-lhe consolação e esperança. Nenhuma máquina, ne-nhum computador (nem o mais inteligente) pode fazer isso. Eles não estendem o braço e nos tocam carinhosamente, nem choram com nossos infortúnios. O ser humano sim, porque ele tem um coração que sente a chaga do coração do outro e sabe compadecer-se dele. Construímos o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor infinitamente adorável".
James Hunter defende a tese de que todos os profissionais devem ter caráter, uma base espiritual muito forte e a consciência de que liderança não é poder, e sim autoridade, conquistada com amor, dedicação e respeito pelas pessoas. Ele também nos ensina que qualquer que seja o produto ou serviço que uma instituição forneça, ela opera no ramo do relacionamento. Antes de qualquer instituição ou empresa existir para dar lucro, ela existe para atender uma necessidade humana. O lucro pode ser um componente importante de uma instituição ou empresa, mas não é por isso e para isso que ela existe.
No mínimo estes autores nos fazem refletir e acordar do frenesi fanático em que muitas vezes nos encontramos, do trabalho e do lucro a qualquer custo com a finalidade de acumular bens sem limites, numa insa-tisfação doentia, que destrói a saúde, a natureza e somente aumenta a desigualdade social, a fome e a miséria. Devemos refletir com Leonardo Boff quando nos ensina que só o resgate do cuidado pode nos salvar. O cuidado não se opõe ao trabalho, mas faz com que ele sirva à vida, à produção da felicidade e à instauração da convivência. O cuidado ajuda a encontrar a justa medida entre o esforço para garantirmos o bem viver de todos e o tempo para estarmos juntos e celebrarmos a gratuidade da vida e a beleza da criação.