Ceres
A dimensão psicológica da doença
| Anita Mussi Klafke | Psicóloga Clínica-CRP 12/1185- membro fundadora da Ceres-Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental
Quando pensamos em doença, logo associamos a algum tipo de sofrimento físico, causado por algum trauma, lesão ou disfunção orgânica. Porém o conceito de doença, assim como o de saúde, é muito mais amplo, pois se re- fere ao organismo como um todo, integrando seus aspectos físicos e psíquicos.
Estas duas dimensões, o corpo e a psique, não são separados, são animados pela mesma vida; ou seja, são ma- nifestações diferentes da mesma coisa. Assim sendo, o sofrimento pode se ma- nifestar tanto de uma forma física quanto de uma forma psicológica, e, ainda, um pode afetar o outro, mesmo não sendo um a causa do outro.
Embora, teoricamente, o corpo e a psique sejam compreendidos separadamente, na prática, podemos observar que as doenças que se manifestam corporalmente têm seu paralelo na psique, mesmo que não sejam causadas por conflitos psíquicos.
Podemos constatar estas relações através de um conceito denominado sincronicidade, o qual se refere à existência de dois ou mais fenômenos que ocorrem ao mesmo tempo, sem relação de causa e efeito entre si, mas relacionados pelo significado. Através destes fenômenos da sincronicidade, podemos identificar o psíquico no corpo e o corpo no psíquico e, assim, podemos compreender melhor e mais amplamente os sintomas apresentados pelos pacientes.
Um exemplo, disto, é a dor, que é uma palavra que vem do latim - dolore - e pode significar um sofrimento físico ou psíquico; sendo que cada pessoa vive a sua dor a seu modo, pois se trata de uma reação muito particular e que reflete a personalidade de cada um. Ou seja, o corpo é uma imagem física da totalidade do sujeito; pois é através do corpo que a pessoa se expressa e se relaciona com o mundo. Uma dor física, portanto, também pode revelar uma dor no nível psíquico; como também mascará-la, como nos casos dos chamados equivalentes depressivos, tão comuns na clínica cotidiana; em que o tratamento deve incluir a identificação dos conflitos inconscientes subjacentes aos sintomas.
Quando o profissional da saúde possui esta visão integrada do seu paciente, as possibilidades de cura dos sintomas se ampliam na medida em que a experiência individual transcende os limites do conhecimento teórico/técnico.
Esta abordagem, mais conhecida como psicossomática, pressupõe, portanto, uma análise individual de cada caso, onde o sintoma tem um significado específico para cada paciente em particular.
Compreendendo o funcionamento psicológico de cada pessoa através da sua expressão somática, podem-se alcançar níveis de cura mais profundos, proporcionando uma mudança no corpo e na psique do paciente, o que diminui a recidiva dos sintomas e aumenta seu bem-estar.
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